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julio
hungria © 2003
Assim
é se lhe parece
Bom
dia. Embora tivesse muita gana desde o inicio, custei muito a concordar
em assumir o papel de 'critico' na internet. Formado como 'reporter' no
radio e no jornal e, depois, como 'copy' e 'editor', tenho consciencia
da incompreensao gerada por eventuais comentarios que a gente faz com a
melhor das intençoes e que, no caminho entre teu teclado e o
leitor, acabam sendo desvirtuados, ou porque se tem uma ideia
preconcebida do que o critico representa, ou porque o leitor nao admite
que discordem dele ou porque, quem sabe, você escreve
muito mal e nao se fez entender, etc, etc - considere varias outra
razoes.
Você dá sorte se
escreve o que a maioria pensa, caminho certo para o sucesso. Muitas
vezes a gente tem essa intuiçao - 'sente' o que as pessoas estao
querendo ouvir e, sem perceber, escreve o que elas gostariam de ler.
Deus
me livre de criticar o jornalismo brasileiro mas... ja fiz isso algumas
vezes, desde que o Estadao 'matou' o Zuenir Ventura, que continua vivo,
o Jornal do Brasil confundiu o Dia da Independencia com o da
Proclamacao da Republica, a Veja concluiu que um Juiz 'processa' um
réu (era o Bill Gates) - até fatos mais recentes e sao
tantos que eu parei de anotar... Pra nao dizer que é preciso
avisar a um canal de noticias da TV que o filme do Polanski é 'O
Pianista' e nao 'O Piano', como eles informaram... ;- )
Ha
outras questoes no jornalismo brasileiro, como a da 'noticia
enguiçada', notada pelo Tutty Vasques em um dos seus brilhantes
textos no site No Minimo. Ela fica ecoando por dias seguidos na procura
desesperada de uma 'suite' que nao vem (compreensivel diante da falta
de assunto da era pos Bush, escândalos, etc, que enxugou o
noticiario de negocios, por exemplo, de um modo radical).
Embora
alguns profissionais que sao honra e gloria do oficio tenham verificado
em artigos recentes a mediocridade geral, que imputam a baixa qualidade
do ensino universitario e a crise econômica que tirou de cena
antes da hora os mais velhos (que tinham que ter ficado nas
redaçoes suprindo a incompetência do ensino) - ainda
hesito em me beneficiar deste aval. 'Criticar os colegas?' -
será a 1a pergunta inconformada. Nao estou interessado em ouvir
questoes como essa para nao ficar mais amargo ainda. E resolvi o
problema mudando de profissao. Sim, mudei de profissao. Pelo menos por
declaraçao propria.
É
parecido assim com o gesto de quem se 'naturaliza', seja por
conveniência ou proximidade. Na verdade voce fica se sentindo
meio 'estrangeiro' em qualquer dos lados que está. Adotei a
profissao de 'motorista' pois, afinal, toco um ônibus, um
ônibus azul, o Blue Bus, que nao tem outra pretensao intelectual
ou pratica do que 'levar as pessoas aos lugares', através de
notas curtas e links, como um 'guia' diario instalado basicamente sobre
o assunto 'midia', mas tambem colecionando informaçoes
'relacionadas' nas areas de negocios, comportamento, etc. Sorte que eu
faço isso com uma parceira que comunga de toda a minha ansiedade
por exatidao (quem, quando, onde, como, etc) e toda a minha obsessiva
perseguiçao pela renovaçao humana de comportamentos,
praticas, eticas, etc
Declarei
ao Vitrine do Marcelo Tas, faz talvez 1 ano, minha opçao por
'dirigir' e todas as dificuldades inerentes - parar nos pontos certos,
ultrapassar somente nos momentos adequados, reduzir a velocidade quando
é necessario e, especialmente, tentar mostrar uma
paciência chinesa com o 'trânsito' (o que nem sempre
consigo). Dirijo sem carteira. Nunca frequentei auto escola e aprendi
no dia a dia destes 8 anos na rua (somos de 1995). Graças a
Deus, nunca apareceu um guarda para me pedir documentos.
Preciso
contar um segredo - como consegui chegar a este providencial atalho (o
da mudança de profissao) para me sentir mais integro e mais
livre (nao estou dizendo mais 'perfeito') e nao ser envolvido pela
avalanche sobre a qual escorrega a midia rumo aos infernos (no mundo
inteiro, talvez um tanto menos na Inglaterra), misturada a
incompetência provocada tambem pela desordem econômica,
censura, indulgência e corrupçao.
Tudo
se resume numa historinha simples. Ha uns dois anos, um desses
jornalistas paulistanos carregados de medalhas, desses que se
movimentam hoje quase a margem do mercado principal, embora a
competência e o notavel curriculo, se inscreveu num evento que
Blue Bus promoveu para seus leitores e na ficha que mandou por fax
omitiu a informaçao 'profissao'. Pedi que cobrassem dele
preencher o campo deixado vago. E ele nao demorou muito. Voltou -
'filósofo' ;- ).
Publisher do Blue Bus, motorista, carioca, 64,
Julio Hungria começou a carreira no inicio dos anos 60
como
produtor de discos na Philips e na EMI Odeon. Chefiou o departamento de
produçao da Radio Jornal do Brasil por 14 anos. Foi subeditor do
Jornal de Vanguarda nas TVs Excelsior e Rio e editor e critico de
musica popular do Jornal do Brasil entre 1967 e 1974. Assinou coluna no
Pasquim no inicio dos 70. Entre 1975 e 1978, chefiou o copy desk e foi
editor do 2o Caderno da Ultima Hora. Em 1980, abriu a Radio
Atividade, produtora de jingles. Entre 1990 e 1994 editou o jornal do
Clube de Criaçao do RJ. Em 1995, fundou o Blue Bus como um BBS
para o mercado publicitario carioca. Em janeiro de 1997, inaugurou o
site na internet. Clique na foto para mandar email.
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